O que você vai ser quando crescer?
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O que você vai ser quando crescer?

Ei, você aí, que está começando a ler esse texto. Sim, você mesmo. Todo dia nós conversamos por aqui sobre beleza, cosméticos e outras amenidades, mas hoje, quero prosear sobre um outro assunto com você.

No que você trabalha?

Você é feliz fazendo o que faz?

Como você ingressou na área em que atua?

Você escolheu voluntariamente fazer o que faz hoje, ou a vida foi empurrando você para essa vida e quando você viu, já estava lá?

O que você vai ser quando crescer

Sabe, quando eu era criança, passei por várias fases, e sonhei em ser várias coisas:

– desenhista do Maurício de Sousa. Sim, pode rir. Uma das coisas mais felizes de minha infância eram as pilhas e mais pilhas de gibis da Turma da Mônica que meus pais me forneciam e eu insaciavelmente lia. Mas chegou um momento em que eu não me contentava apenas em ler as histórias, e queria criar as minhas próprias. Treinava meus dotes artísticos desenhando réplicas mal-feitas da Mônica, Cebolinha e Magali, mas logo vi que eu não levava muito jeito pra coisa, e aí resolvi ser…

– …jogadora de vôlei. kkkkkkkk… Eu, a pessoa mais descoordenada da face da Terra, queria viver do esporte. Obviamente, devido às minhas dificuldades de coordenação motora and falta de domínio da bola (e de meu próprio corpo na hora do jogo…kkkk), me vi decidida a ser…

– …cantora. Affffffffffff, que decepção. Eu gosto muito de cantar, mas o grande problema é que eu NÃO SEI fazer isso direito…rsrsrs…

E os anos se passaram, e fui crescendo gostando de natação, patins, bicicleta, inglês, biscuit, taquigrafia (sim, eu já fiz um curso de taquigrafia, que coisa antiga, mellll Deellls), pintura em tela, ponto-cruz, computadores, montagem de bijuterias, numerologia, livros, violão, e claro, cachorros. Isso sem falar nas habilidades que desenvolvi na arte da preparação de pizzas (praticamente “nasci” dentro da pizzaria da qual meu pai foi dono por muitos anos).

Terminei o Ensino Médio, e a pergunta que costuma traçar o destino da grande maioria das pessoas surgiu em minha vida: o que você vai ser quando crescer?

Decisões

Eeeeeiiii, peraíiii, mas eu sou apenas uma “recém-adulta” que mal saiu das fraldas!!!!!!!! Cumequié essa história de ter que decidir meu futuro inteiro agora??????

Pois é, mas a vida não tem clemência, e “decidi” então.

Recebi uma bolsa de estudos para o curso de Pedagogia, e lá fui eu. Na metade do curso, descobri que não era aquilo que eu queria para mim. Mas, teimosa que sou, resolvi que ia até o fim, e me graduei com 22 anos. E aí, como não sou filha de pais ricos, bora arrumar emprego. Quando você precisa trabalhar, é difícil fazer escolhas. Quando você (infelizmente) não tem condições de tirar um ano sabático, você acaba se jogando naquilo que se mostre uma ocupação digna e com um salário relativamente razoável. E foi aí que comecei a construir meu “castelo de merda“. Pulei de emprego em emprego, até que encontrei uma oportunidade única de ganhar dinheiro sem precisar de experiência prévia. E para atingir meu objetivo, eu só dependeria de minhas próprias capacidades, e nada mais. E o nome dessa coisa estupenda que serviu de luz para a minha vida por muito tempo é… CONCURSO PÚBLICO. Tenho uma vaaaasta experiência em concursos, mas para resumir a história: já trabalhei em três órgãos diferentes, de três esferas diferentes, já prestei mais de 15 concursos, e em alguns deles fui aprovada em primeiro lugar. Me vi com salários muito maiores que aqueles que eu conseguiria atuando na iniciativa privada em minha área de formação. Me vi com estabilidade financeira e profissional.

Mas, em um determinado dia, por um instante parei e me perguntei: mas por que mesmo eu estou fazendo tudo isso?

Me sentia triste, e não entendia a razão. Eu tinha um “bom emprego” e minha vida pessoal ia bem. Passei anos estudando para passar em qualquer concurso que eu quisesse, e consegui isso diversas vezes. Por que eu me sentia incompleta?

E entendi que o que me faltava era um propósito profissional. Eu estava insatisfeita com o tipo de trabalho que eu fazia, entediada com a rotina, me sentindo amarrada pelo fato de ter que trabalhar “presa” a um relógio de ponto, enclausurada em um mesmo ambiente fechado por horas a fio. E então, libertei minha mente e minha alma. Calma, eu não pedi “as contas” do meu trabalho público, afinal, tenho contas a pagar. Mas, pela primeira vez na vida, assumi que eu era um ser humano com desejos e vontades e, definitivamente, trabalhar na esfera pública não é o que faz feliz, embora eu tivesse passado anos a fio focada nesse objetivo como se minha missão no planeta fosse apenas essa.

Toda essa coisa de reflexão sobre os rumos da minha vida profissional começou a acontecer não tem muito tempo… Na verdade, quando criei o Dias de Sol, ele foi um dos meus manifestos contra a minha situação de insatisfação. Foi uma forma que encontrei de fazer algo criativo e que me fizesse feliz, ainda que não houvesse remuneração para isso. Atualmente, ainda me encontro no meio da tempestade, trabalhando em tempo integral em algo que não me faz lá muito feliz. Já disse, preciso do dinheiro, por isso continuo. Mas, o importante é que “enxerguei a luz”.rs… A partir do momento em que descobri exatamente o motivo de minha insatisfação, ficou mais simples encarar a realidade e começar a correr atrás do prejuízo.

O que você vai ser quando crescer?

Muita gente me chama de louca, maluca, desvairada por cogitar abandonar uma carreira pública. As pessoas me perguntam: “Mas e a estabilidade?”, “E a segurança financeira?”, “E a aposentadoria garantida?”. E é nessas horas, que eu retruco com algumas perguntas: Vale a pena passar aproximadamente um terço de nossas vidas fazendo algo apenas pelo dinheiro? Será que compensa abrir mão de descobrir aquilo que gostamos, para viver uma vida estável, esperando a aposentadoria chegar? Será que há um certo prazo de validade para recomeçar do zero?

Gosto de mil coisas, e hoje, depois de muitos anos, me sinto como quando era uma criança, e enxergo milhões de caminhos na minha frente. Posso ser desenhista, patinadora ou acrobata se eu quiser. Posso levar a vida dos meus sonhos se eu tiver força e coragem para fazer as escolhas necessárias. Ou posso ficar onde estou, e ir vivendo um dia após o outro, até o dia em que minha aposentadoria chegar. A escolha é minha. Mas, quando eu estiver bem velhinha, quando a areia da minha ampulheta da vida estiver se esgotando, eu espero ter feito a escolha certa, para não me arrepender por não ter tido a vida que eu sempre desejei ter.

E vocês, o que me dizem de suas vidas profissionais? Tem mais alguém aí em crises existenciais? rs

Super beijos!

 

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Paulistana que mora na praia, mas foge do sol. Libriana, indecisa e que ama cachorros, pizza e livros, e é dona do Dias de Sol. Muito prazer!

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